sexta-feira, 24 de maio de 2013

Você precisar conhecer: Cabra Marcado Para Morrer

Eduardo de Oliveira Coutinho nasceu em São Paulo, 11 de maio de 1933, é cineasta, considerado um dos mais importantes documentaristas da atualidade. Seu trabalho caracteriza-se pela sensibilidade e pela capacidade de ouvir o outro, registrando sem sentimentalismos as emoções e aspirações das pessoas comuns, sejam camponeses diante de processos históricos (Cabra Marcado para Morrer), moradores de um enorme condomínio de baixa classe média no Rio de Janeiro (Edifício Máster), metalúrgicos que conviveram com o então sindicalista Luis Inácio Lula da Silva (Peões) entre varios outros. Autor de um dos filmes mais importantes do cinema documental brasileiro, Cabra marcado para morrer (1984), prêmio da crítica internacional do Festival de Berlim, melhor filme no Festival du Réel, em Paris, e no de Havana, entre muitos outros. 



Estudou cinema no Institut des Hautes Études Cinematographiques (IDHEC) de Paris, em meados dos anos 50, e voltou ao Brasil em 1960, e se engajou no Cinema Novo. Começou como gerente de produção de Cinco vezes favela (1962) e como cor roteirista de A falecida (1965), de Leon Hirszman. Em 1962, iniciou e viu interrompida, pelo golpe militar, as filmagens de Cabra marcado para morrer (que só seria retomado em 1980 e concluído em 1984).

Em Abril de 1962 inicia-se a produção de: Cabra Marcado Para Morrer, dirigido por Eduardo Coutinho, o filme inicia-se com uma música mostrando um país subdesenvolvido, na temática fílmica mostra a população suburbana e crianças trabalhando o que não é muito diferente de hoje, o que mostra o poder apenas nas mãos de poucos, esse que contaria a história política do líder da liga camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em 1962. No entanto, com o golpe de 31 de março, as forças militares cercam a locação no engenho da Galiléia e interrompem as filmagens. No enterro de João Pedro Teixeira, Elisabeth Teixeira sua esposa, compareceu com seis dos seus nove filhos, os trabalhadores se reuniram em frente à liga camponesa de sapé, sendo na época a maior do nordeste, com mais de sete mil sócios.

João Pedro Teixeira morreu com quarenta e quatro anos de idade, ele e todos os outros membros da liga, lutavam por direitos trabalhistas e por uma melhor qualidade de vida no campo. Em 15 de janeiro de 1964, houve um conflito entre policias e trabalhadores de uma usina e camponeses no povoado Sapé, onze pessoas morreram nesse conflito e a região foi ocupada por policiais, o que se tornou impossível a realização da filmagem no local. Foi no engenho Galiléia em Pernambuco aonde tinha nascido à primeira liga camponesa em 1955, que Eduardo Coutinho continua a filmagem. Em 26 de fevereiro de 1964, foi iniciada a primeira tomada do filme com camponeses que acabara de conseguir suas terras após quatro anos de luta. João Mariano, que fez o papel de João Pedro Teixeira, não era de Galiléia, no projeto de filmagem com os participantes originais, só restaram Elisabeth e seus filhos. Em 01 de Abril de 1964, o trabalho foi interrompido, Galiléia foi invadida pelo exército, os principais lideres camponeses e alguns membros da equipe também foram presos, mas alguns conseguiram fugir para Recife, nesse período todos os materiais da filmagem foram aprendidos, mais a maior parte das filmagem foram salva por ter sido enviado antes para o laboratório no Rio de Janeiro. Só em Fevereiro de 1981, foi possível o retorno as filmagem, apenas dois camponeses que iniciaram o filme estão vivos, José Hortêncio da Cruz e João Virgíneo Silva.

Elizabeth, que tomou o lugar do marido na luta das ligas camponesas a frente do sindicato dos Trabalhadores Rurais, teve sua família destruída, foi presa e entra para a clandestinidade.
Após a abertura política, em 1981, Coutinho retoma o trabalho de "Cabra marcado para morrer", agora como um documentário da própria história do filme, partindo atrás dos camponeses que haviam participado. De modo genial, o filme lançado em 1984, traça um panorama de um capítulo importante das lutas populares no Brasil.

Direção: Eduardo Coutinho.
Ano de produção: 1962 – 1984
Lançamento do filme: 1984
Editora: Globo filmes
Duração do filme: 154 minutos
Narração: Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho
Elenco: Elisabeth Teixeira e família, João Virgíneo da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco).
Cabra Marcado Para Morrer: 7.1 IMDB


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