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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Motivos para ver: Whiplash - Em Busca da Perfeição


          Whiplash: Em Busca da Perfeição conta a história de Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem baterista de jazz cujo único objetivo na vida é chegar ao topo do seu conservatório de música. Atormentado pela carreira fracassada como escritor de seu pai (Paul Reiser), Andrew anseia dia e noite por se equiparar aos grandes gênios da música. Terence Fletcher (J.K. Simmons), um professor reconhecido tanto por sua capacidade como instrutor quanto por seus questionáveis métodos, é o regente da melhor banda de jazz da escola. Fletcher descobre Andrew e transfere o aspirante a baterista para a sua banda, mudando para sempre a vida do rapaz.

          A dedicação exclusiva de Andrew é algo que desagrada seu pai e sua família inteira - que vê sua dedicação à música como uma completa perda de tempo, mas apoia os primos que praticam rugby. Até mesmo sua namorada Nicole (Melissa Benoist), se enfurece quando ele a dispensa, contudo, sua fixação nos treinos de música não permitirá que faça algo menos produtivo como namorar.


          A inicial calma do filme é substituída pela correria e a montagem já deixa isso bastante claro. Com cortes sincronizados ao jazz somos fluidamente jogados de plano em plano, de cena em cena, acompanhando a crescente dedicação e loucura de Andrew, que cada vez mais se vê afoito pelo sucesso e seu desejo de impressionar Fletcher. E são nestas que os já citados closes cumprem suas principais funções: primeiro a de nos identificar com o baterista e seu instrumento, segundo para deixar claro e desconfortante o grau de sua dedicação, que é fisicamente transposta através do suor e do sangue.

          Nos quesitos mais técnicos, destaque para a trilha musical, a direção de fotografia e a montagem. Falar sobre a trilha musical em um filme que aborda este universo é chover no molhado; em todo caso, a trilha é totalmente composta de jazz. Mas o que enche os olhos e preenche o quadro é a exuberante e sutil direção de fotografia elaborada por Sharone Meir. O diretor de fotografia se utilizou de tons quentes, criando um ambiente visual rico, conferindo charme e elegância à película. A montagem executada por Tom Cross se sobressai nos detalhes.


          E, como se o filme não precisasse de mais motivos para ser amado, Chazelle cuidadosamente cria um impactante e inesquecível clímax, que subitamente acelera o ritmo da obra após um momento de calmaria. Trata-se de uma sequência nada menos que genial construída apenas por um solo de bateria e a interpretação conjunta de Simmons e Teller. O diretor dá o passo final de seus personagens nesse momento, de forma memorável, sedimentando, de uma vez por todas, a qualidade de seu filme que tão bem une o cinema à música. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Motivos para ver: Garota Exemplar


Definitivamente, Garota Exemplar foi um dos melhores filmes do ano de 2014, e deveria ter sido uma das grandes apostas em todas as premiações do mundo do cinema, em 2015. Sinceramente, eu ainda não entendi o filme ter sido esnobado pela a Academia, em não indicá-lo a concorrer na categoria de melhor filme.

A película de David Fincher foi nomeada, apenas, para a categoria de melhor atriz por Rosamund Pike (????) Por que esse filme sensacional foi renegado? O filme tem um ótimo roteiro adaptado, um direção segura e coerente, cheia de detalhes, uma edição muito boa e as atuações, principalmente de Rosamund são exemplares. Deixo aqui, registrado a minha indignação por esse esquecimento, ainda mais se tratando de David Fincher que já nos arrebatou com obras maravilhosas como: Seven - Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.

David Fincher realiza uma direção tão primorosa, que nos faz, definitivamente, desejar desvendar as peças do quebra - cabeça do desaparecimento de Amy Dunne (Rosamund Pike), na manhã do seu quinto aniversário de casamento, na casa que divide com o marido Nick (Ben Affleck) na cidadezinha natal dele, no Missouri. À medida que Nick vai se tornando, com os dias, o principal suspeito. A partir daí inicia-se uma maciça investigação envolvendo Nick, os detetives locais, a mídia, a opinião pública, enfim, virando tudo e todo mundo de cabeça para baixo.


O novo filme de David Fincher é uma adaptação do livro de Gillian Flynn, que cria uma atmosfera tensa, intensa, imprevisível, manipulando as expectativas do público e nos apresentando a personagens memoráveis nos surpreendendo a cada sequência.

O primeiro aspecto que chama atenção é a narrativa bipartida. Vemos Nick Dunne, após o sumiço de sua esposa e acompanhamos, então, no presente, a forma como ele lida com a situação, o que envolve sua irmã Margo e a detetive Rhonda Boney. Intercalando esses momentos de dúvida, ações suspeitas e investigação policial, temos Amy Dunne, a esposa de Nick, servindo de narradora em off, a partir de um diário, para diversas sequências em flashback, contando como o casal se conheceu e a vida de sonho que viviam até seu sumiço.


Por ser um tipo de filme, que precisa de total atenção a todos os fatos envolvidos na trama, Garota Exemplar não me permite comentar mais, devido ao fato de que qualquer pista desse texto, pode estragar a surpresa da narrativa contada por David Fincher. Os pontos altos do filme, sem dúvida, são a direção, a edição, o roteiro adaptado, e claro, a fantástica atuação de Rosamund Pike. 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Motivos para ver: Magia ao Luar


Escrever sobre qualquer filme do velho Woody sempre é um grande drama. Primeiro, porque eu sou muito fã do diretor e da sua filmografia, e segundo, porque exatamente por gostar muito do diretor nova iorquino, tenho sérios problemas para criticá-lo, final, que cinéfilo pode criticar Woody Allen?

Depois de me justificar, tenho que confessar que fui ao cinema com o seguinte pensamento: “bom, o último filme dele (Blue Jasmine) foi arrebatador, então, não vou esperando muita coisa não!”. Sim, eu confesso. De certa forma. Eu não estava enganado, mas o filme foi melhor do que eu esperava.

Em Magia ao Luar, Stanley (Colin Firth) é um mágico conhecido não apenas pelas suas apresentações como o personagem Wei Ling Soo, mas por dedicar o resto do seu tempo ao trabalho de desmascarar pilantras.

O pilantra da vez é uma linda jovem chamada Sophie (Emma Stone), que parece estar se aproveitando de uma família rica com o pretexto de ser médium. O que vem em seguida acaba sendo mais do que uma simples investigação e Stanley está para passar por um desafio que pode colocar em questão sua própria sanidade mental e o conceito de tudo o que acreditou até hoje.

Stone domina a comédia do filme, suas expressões e gestos são um charme e sua mistura de ingenuidade e cinismo entregam uma perfeita golpista. A seu lado, Colin Firth continua sendo o inglês amargo, entediante, rígido e estranhamente atraente que o tornou o Mr. Darcy perfeito. Os dois têm química, e Woody Allen lembra porque é, do alto de seu pessimismo, um gênio das comédias românticas.

Magia ao Luar parece caminhar para uma aceitação do desconhecido, a permissão da dúvida de que talvez exista um “mundo invisível”, mas não. Allen pode até permitir que personagens sejam felizes, mas ele jamais deixará que isso seja conquistado às custas da consciência da crueldade do mundo. É tudo muito cruel, mas é preciso tentar ser feliz assim mesmo – esse filme, que é ao mesmo tempo o mais agradável e mais denso da atual fase do diretor, parece dizer.

É a habilidade em casar a discussão filosófica complexa com um andamento fluido e piadas divertidas que fez de Woody Allen um cineasta memorável. Magia ao Luar é, em algum sentido, filosófico, mas embalado em um ritmo ágil, atores carismáticos e o belo cenário do sul da França. A sensação ao fim da sessão é de um filme adorável e ao mesmo tempo de grande esforço mental.


Magia ao Luar, portanto, se caracteriza como a típica diversão de final de semana. Não é uma obra de arte, mas consegue divertir os espectadores, O filme é Colin Firth, Woody sabe disso, e claro, aposta no ator britânico, mas eu ainda senti que falta algo que me ligasse ao filme. Nesse sentido, eu tenho que admitir que nossa tese inicial teve êxito: depois de Blue Jasmine, algo não tem memorável assim. 


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Motivos para ver: Praia do Futuro

          
          Difícil escrever sobre este filme. Não é do tipo que tem uma história pronta e personagens de fácil compreensão. Acredito que assim como qualquer obra de arte, "Praia do Futuro" poderá significar coisas diferentes para outras pessoas, cada um verá algo, sentirá algo, não há uma única maneira de encará-lo e compreendê-lo, portanto, naturalmente, uns poderão amá-lo, outros, odiá-lo, consequência desta trama que é tão subjetiva, tão ampla, tão aberta. Escrevo aqui, o que vi, e só digo de antemão, fiquei extasiado.
E como era possível de se esperar, visto que estamos falando de um filme de Karim Ainouz, trata-se de um longa que te propõe uma trama forte, que não te poupa de nada que faça parte daquele universo, que não possui nenhum tipo de filtro, mas que também recompensa aqueles que estiverem dispostos a acompanhar a sua trajetória sem preconceitos.

          A trama é dividida em três capítulos, O Abraço do Afogado, Um Herói Partido Ao Meio e Um Fantasma Que Fala Alemão. Nome sempre citado entre os mais importantes do cinema brasileiro, Karim Ainouz está de volta com o seu filme mais sofisticado. Caracterizado por seu cinema cru, de difícil digestão, Praia do Futuro representa um amadurecimento do diretor, que permanece com a sua linha naturalista ao extremo, sem pudores, mas com uma consciência maior do que e como mostrar.

          Praia do Futuro começa com o dia em que o salva-vidas Donato (Moura) perde para o mar pela primeira vez. Na tentativa de socorrer dois turistas alemães, apenas um sobrevive e, assim, começa a ligação do protagonista com o alemão Konrad (Schick), que faz Donato trocar Fortaleza por Berlim. Donato se muda para a cidade de inverno cinza e frio, longe do mar cearense e também de Ayrton (Barbosa), seu irmão mais novo.


          Donato abandona completamente o passado para se adaptar e viver uma vida em que sua personalidade não esteja atrelada ao que os outros projetam nele. Praia do Futuro mostra de maneira sensível e contundente a liberdade  que a mudança proporciona. E a fotografia que contrasta as cores do Nordeste brasileiro com a frieza do clima alemão também dá conta dessa transformação.

            Muito do sucesso do filme se deve aos seus personagens, todos extremamente bem construídos com seus dilemas e temores. Donato que pode até vender uma imagem segura no início do filme, parece desde sempre insatisfeito, como se alguma coisa estivesse faltando na sua vida. Aliás, pertencimento é uma ótima palavra para definir o que se passa na cabeça de Donato, pois na maior parte do tempo ele não parece saber dizer a que lugar pertence. Pertence a água? Pertence a praia? Pertence a Berlim? Difícil dizer!

         
A fuga e o abandono, temas que Aïnouz aperfeiçoou na sua carreira sob uma perspectiva feminina, em O Céu de Suely e Abismo Prateado, ganham aqui contornos mais pessoais e ajudam a mostrar a vulnerabilidade dos personagens, e, de certa forma, humanizam o salva-vidas, visto pelo irmão mais novo como um super-herói.

          Uma marca do roteiro são as inúmeras elipses, algumas bem radicais, que pontuam todo o filme. Ao mesmo tempo em que elas abrem para o espectador a possibilidade dele imaginar os acontecimentos suprimidos, também provocam pequenos choques pelas quebras inusitadas das expectativas usuais .

          Lidando com o tema da homossexualidade sem sentir a necessidade de incluir passagens que discutam o preconceito, Praia do Futuro traz indivíduos bem resolvidos quanto à própria orientação sexual.  Por outro lado, aos poucos o filme leva o espectador a perceber de maneira sutil que talvez o personagem de Wagner Moura não experimentasse exatamente a paz de espírito que buscava demonstrar, o que se torna, de certa forma, motor da narrativa. Ainda que se mostre feliz por estar com Konrad, aqui e ali notamos a inquietação do protagonista.


            Retratando a humanidade e o caráter de Donato através de pequenos momentos, Wagner Moura ainda exibe uma integridade artística admirável ao não hesitar em se entregar às sequências de sexo, que são fundamentais para que percebamos a magnitude da atração entre os dois amantes. A mesma integridade, claro, vale para Clemens Schick, que ilustra bem o afeto de Konrad pelo outro e sua dor diante dos obstáculos que enfrentam. Jesuíta Barbosa é uma revelação, o filme alcança seu melhor momento quando o ator entra em cena. O encontro entre os dois irmãos é memorável, e a tensão e comoção que existe no olhar dos dois atores é a prova do quanto compreenderam seus personagens e quanto deram o melhor por eles.


           Mais do qualquer coisa é um filme de sensações, onde as imagens e os sons causam impacto, tristeza, emoção,  muito sentimento, é muito humano ao relatar as fragilidades de seus personagens, é complexo, é profundo. É também um filme introspectivo, silencioso, intimista, melancólico, é delicado ao mesmo tempo em que é puro caos, é seco ao mesmo tempo em que é poético, fala de coragem através daqueles que sentem medo, fala de amor através daqueles que são brutos, fala de ira através daqueles que esperam por um abraço. Vi uma obra como poucas, vi um cinema nacional como quase nunca tive a oportunidade de ver e sentir. Um trabalho de arte, um filme a ser lembrado.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Motivos para ver: Malévola


          Uma das grandes mudanças que o mundo cinematográfico vem vivendo, diz respeito ao cada vez mais inexistente uso daquela ideia maniqueísta de separar claramente o bem do mal. Víamos muito isso em filmes infantis, sobretudo os da Disney, onde detectávamos bem rapidamente quem seria o vilão e quem seria a mocinha da história. Algumas produções mais recentes buscaram então humanizar os vilões, ou então tornar mais reais os mocinhos, diminuindo aquele tom idealizado que eles sempre carregavam. Definitivamente, Malévola nos apresenta essa nova proposta. O que a Disney fez foi simplesmente subverter totalmente esta ideia enraizada de que a personagem principal deste filme seria uma vilã má (com seus motivos, mas ainda assim, uma vilã) e tornou a Malévola de 2014 a grande heroína da história, o grande exemplo a ser seguido.

          Malévola traz a história não contada da vilã mais icônica da Disney, do clássico de 1959, A Bela Adormecida. Uma bela e ingênua jovem com atordoantes asas negras, Malévola (Jolie) leva uma vida idílica, crescendo em um pacífico reino em uma floresta, até o dia em que um exército invasor de humanos ameaça a harmonia da região. A fada surge como a mais feroz protetora da região, mas acaba sendo vítima de uma impiedosa traição — um acontecimento que começa a transformar seu coração outrora repleto de pureza em pedra. Determinada a se vingar, ela enfrenta uma batalha épica contra o rei dos humanos e, como consequência, amaldiçoa sua filha recém-nascida, Aurora (Elle Fanning). Conforme a menina cresce, Malévola percebe que Aurora é a peça essencial para estabelecer a paz no reino — e para a sua própria felicidade.

          O sentimento de vingança que leva Malévola a colocar o feitiço em Aurora é bastante compreensível e decorrente da traição sofrida por ela pelo seu então melhor amigo, que viria a ser o Rei. Ainda assim, esse sentimento é anulado com o passar do tempo e com a convivência das duas, a ‘vilã’ e a ‘mocinha’. E ainda, em todos os momentos da história – do início até o seu final, Malévola somente reage, nunca age por livre e espontânea vontade de fazer o mal.

          Linda Woolverton (‘O Rei Leão’) teve a coragem criativa de alterar a clássica história, entregando uma personagem muito mais profunda e tridimensional que aquela que conhecíamos no conto secular. A origem de Malévola como uma personagem feminina do mal nunca foi clara no desenho original, dando liberdade para que a roteirista pudesse fundamentar seus motivos em fatos passados. Malévola não é má, e sim uma mulher com o coração ferido. Suas ações e atitudes são extremamente bem transpostas para a tela por uma sensual e segura Angelina Jolie. Envolvida com a produção desde seu início, a atriz soube construir sua Malévola de maneira esplêndida, tomando a liberdade criativa para que a personagem tivesse um embate interior entre o vilanesco e o heroísmo.

          E por fim, o amor verdadeiro que se tornou um elemento bem icônico na história da Bela Adormecida, nesta versão da história, é dado por ninguém mais, ninguém menos que… a própria Malévola. Mais heroína que isso impossível. O ponto alto do texto é subverter o significado de “Amor Verdadeiro”, demonstrando que este pode ser muito mais grandioso que um príncipe encantado apaixonado. ‘Malévola’ é um filme feminista, e este é seu grande acerto.

          Sim, Angelina Jolie reina quase que exclusivamente no filme. Nota-se que desde o início, essa era a intenção, pois a quantidade de closes em seus lindos olhos é bastante significativa. Angelina ao menos faz a ida ao cinema valer a pena. O visual, ao lado de Jolie, é o grande acerto da produção.

          O Calcanhar de Aquiles da produção é seu roteiro, que alterna entre o genial e o tedioso, e chega a dar sono em alguns momentos menos inspirados. Apesar de conseguir amarrar a maior parte das pontas soltas – menos o motivo de uma garotinha do bem chamar Malévola, percebemos que o texto tem as suas lacunas visíveis. 

          Malévola é fruto de uma nova safra da Disney que repensa seus clássicos para educação de uma nova geração, descartando arquétipos de princesas frágeis e heróis galopantes que salvam o dia com um beijo. Depois de Valente  e Frozen, foi vez da rainha das vilãs revelar ao público que existem outras formas de “amor verdadeiro” além daquelas que oferecem os príncipes encantados. Ainda que a intenção seja louvável, na pressa para criar uma nova moral, Malévola esqueceu-se de contar uma boa história.


Fontes
Omelte: http://omelete.uol.com.br/malevola/cinema/malevola-critica/#.U6GttpRdUuc
Rondonia Dinamica: http://www.rondoniadinamica.com/arquivo/critica-do-filme-malevola,70625.shtml
Cabine Cultural: http://cabinecultural.com/2014/06/05/critica-malevola-so-que-nao/

domingo, 27 de abril de 2014

Motivos para ver: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho


          Primeiramente, antes de começar a escrever sobre o filme, eu vou justificar qualquer ação que pareça um "melação", mas se você não assistiu ao filme não vai saber, e você que assistiu ao filme, com atenção, vai entender que todas as minhas palavras e elogios são completamente justificáveis, tendo em vista, que o filme, em minha opinião, é de uma delicadeza pura e simples.
          Vencedor do Prêmio da Crítica Internacional no último Festival de Berlim, o filme é baseado no curta de 2010 Eu Não Quero Voltar Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, que ganhou prêmios em festivais e depois repercutiu no YouTube, onde tem quase 3 milhões de visualizações, que também assina a direção e roteiro do longa. Se trata de um caso raro no cinema nacional, que sem uma divulgação forte e sem o selo "Globo Filmes", acabou tendo como sua maior publicidade, seu conteúdo, e a curiosidade que foi surgindo no boca-a-boca. Com sua simplicidade e delicadeza, o filme tem tudo para ganhar mais espaço e merece, é um trabalho admirável, sensível e bastante humano.A melhor forma de descrever Hoje Eu Quero Voltar Sozinho seria dizer que trata de amor.
          Com mais tempo e mais recursos, o diretor pode explorar de forma sensível a sexualidade e as dificuldades para conquistar a independência de Leo (Ghilherme Lobo), um adolescente que nasceu cego. O filme teve sua estreia na mostra Panorama do Festival de Berlim e foi fortemente aplaudido pelo público. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho não é um filme sobre aceitação, é um filme extremamente sensível sobre o que faz do amor, amor, não importa como for.
          A ideia é exatamente a mesma do curta-metragem. A diferença agora é que os personagens são mais velhos (e os atores, obviamente, também) e assim a trama ganha outras nuances, amadurecimento e maior complexidade. Acompanhamos a vida de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que precisa lidar com a super proteção de seus pais enquanto luta por ganhar mais independência, é onde nasce o desejo de fazer intercâmbio, viajar para longe, ter outra vida. Tem o apoio constante de sua melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), com quem sempre relata o que pensa e sente. Porém, tudo muda com a chegada de um novo aluno no colégio em que estudam, Gabriel (Fabio Audi), que acaba despertando novos sentimentos nos dois amigos, principalmente em Leonardo, que acaba conhecendo um pouco mais de si, mais sobre sua sexualidade.
          Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é aquele tipo de filme extremamente simples mas que que acaba dizendo muito, é de fato, sobre muitas coisas. Não gosto e não quero rotular a obra com apenas "filme com temática homossexual", sim, é também sobre isso, sobre a descoberta, entretanto, ele vai além. A maneira como o roteiro insere seus personagens neste contexto é de uma delicadeza admirável, nos relata este momento de encontro, de descobertas pessoais, de novos desejos, é interessante e bastante original a forma como Daniel Ribeiro expõe a sexualidade dos protagonistas, ele aposta numa abordagem mais intimista, ignora os estereótipos, a descoberta não é exatamente sexual, é uma questão de afeto, de sentimentos, e esta é a beleza da obra. Não deixa de ser, também, sobre a adolescência, sobre os dilemas, as dúvidas, os questionamentos, a busca constante de ser encontrado e de ser compreendido.

          Segundo meu amigo Leandro, que deu sua opinião ao ler esse texto: "um filme que não tem nada de sexual, um filme sem rótulos, sem temática. A vida simples de um menino cego que aceita sua condição e que descobre sua paixão de adolescente, sem conflitos existências e sem dramatização. Porque um dia, todos vão entender que amar alguém é um sentimento que não precisa ser diabolicamente conflituoso. Um filme lindo, simples e soa quase como um poema."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Motivos para ver: Divergente


No mundo das séries temos uma palavra para denominar os fãs, “fandom”. Esse termo também é usado no mundo dos livros e, às vezes também com filmes, que geralmente foram originados de livros. Quando li “Divergente” pela primeira vez, logo abracei a causa do fandom da saga: Em quatro dias já tinha lido os dois primeiros livros e esperei ansiosamente o lançamento do último. Além disso, esperei por longos cinco meses pelo lançamento do filme (especialmente o último torturante mês no qual o filme já tinha estreado nos EUA e em outros lugares do mundo e demorou esse tempo todo para chegar aqui, mas ok). Enfim, todo esse testemunho que estou dando é para poder convencer a cada um de vocês a assistir Divergente (e nos cinemas, de preferência, rs).

Acompanhamos a história de Beatrice Prior que vive numa Chicago futurista que, após uma guerra dividiu a sociedade em cinco facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Franqueza. Cada uma destas facções aceita como lema um modo de vida baseado na altruísmo, paz, coragem, inteligência e verdade, consecutivamente. E aos 16 anos os jovens devem passar por uma cerimônia na qual escolherão qual facção será a sua para o resto da vida. Beatrice faz seu teste de aptidão e seu resultado é inconclusivo, o que na história narrada é chamado de Divergência. Alertada a não contar nada para ninguém, Beatrice se vê perdida e não sabe como será seu futuro, porque ser divergente é algo perigoso, mesmo que ela não entenda o porquê.

É nesse momento em que Tris não se vê altruísta o suficiente para permanecer em sua facção de origem e migra para a Audácia. Lá, somos apresentados aos ritos de iniciação da facção e também a seu instrutor Four, com quem Tris acaba se envolvendo; seus novos amigos Christina, Will e Al; outros iniciandos que se tornam seus inimigos, Molly e Peter, e os líderes da facção, Eric e Max.

O papel da consagrada Kate Winslet é de Jeannie Matthews, líder da Erudição e caça-divergente nas horas vagas. Jeanine é uma mulher poderosa e ambiciosa, que acredita que os divergentes são uma ameaça ao sistema de facções pelo simples fato de não se encaixarem na sociedade, sendo, portanto, incontroláveis. E é a partir dela que a ação cria vida fora do complexo da Audácia e se espalha por toda a Chicago. Não vou explorar tanto esse quesito, pelo simples fato de estar spoileando e contando tudo o que o filme traz pra nós.

Para fãs do livro, o filme pode ser um pouco decepcionante pelas escolhas das cenas que apareceram na adaptação. Ok, todos nós sabemos como funciona a questão da adaptação e que recortes devem ser feitos para que a dinâmica funcione melhor nas telas, mas algumas coisas realmente me deixaram encucada porque, já que a saga terá continuação já confirmada pela produtora com mais três filmes (sendo o último livro dividido em duas partes), vai ficar um pouco corrido para explicar muita coisa. Um exemplo ótimo disso é o personagem Uriah, um iniciando da Audácia, que se desenvolve na história e não teve foco nenhum nesse primeiro filme. Outro ainda é sobre Peter, personagem de Miles Teller, que é de grande importância mostrar sua falta de caráter, coisa que não aconteceu veementemente nesse primeiro filme, inclusive com uma cena bastante chocante dele com o personagem de Ben Lamb, Edward, que também não teve destaque nenhum aqui. Ficaria aqui a dica para os próximos filmes para tentarem não eliminar tantos elementos vitais para a história assim.


Mas ainda assim, eu estou apaixonada pelo filme. A química de Shailene Woodley e Theo James, dois dos meus atores mais queridos nesses últimos tempos e já conhecidos no meio seriador, ficou incrível! Não somente no romance - que aqui destaco, teve tanta importância quanto no livro, o que eu achei ótimo, pois o foco da história não é isso, e sim o funcionamento da cidade em facções -, mas também nas cenas de ação e drama que o casal FourTris demanda.

Além disso tudo, Shailene e Theo são ótimos atores. Ele já tem fama lá nas terras da rainha, tanto que estrelou uma série chamada “Bedlam” por lá e nos EUA, “Golden Boy” contava com ele como protagonista e ela já foi até indicada por “Os Descendentes”. Fora todos os meus elogios aos dois como atores, elogio também a simplicidade e humildade com o qual estão lidando com a explosão em suas carreiras graças ao filme. É bem difícil de ver isso acontecer.


É difícil não me empolgar ao falar de uma das minhas histórias preferidas, mas espero ter conseguido passar um pouquinho da emoção que é a história de “Divergente”. E não percam o filme nos cinemas!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Motivos para ver: Philomena


Sabe quando a novela tenta tratar de alguma questão de cunho social, esbarra numa pancada de tabus e acaba se tornando apelativa e piegas? Não é o caso de Philomena, dirigido por Stephen Frears com roteiros e produção de Steve Coogan, que também atua como o jornalista Martin Sixtmith.

Frears deixa bem explícita a sua direção voltada ao trabalho dos atores, que estão excelentes em seus papéis, com destaque para os protagonistas, naturalmente. Judi Dench consegue transmitir a ternura de uma mãe com saudades, e também a insanidade daquela vovó quase caduca, que de tão simpática se torna imune ao mau-humor alheio. Ou quase. Como em um antagonista, encontra seu oposto em um frustrado Martin Sixmith, grosso e mau humorado, apesar do seu vocabulário “Oxbridge”.

Aos 18 anos, Philomena Lee pecou. Em uma noite de liberdade, na feira de uma pequena cidade na Irlanda, conheceu um belo rapaz que trabalhava nos correios. Ele elogiou sua beleza e ofereceu cerveja. Ela aceitou e se deixou levar pelo toque que despertava coisas que nunca sentira antes. Meses depois, as consequências do “crime” começaram a aparecer. Sua penitência duraria mais de 50 anos.

50 anos depois, Philomena, já uma senhora idosa (interpretada com impecabilidade e muita simpatia por Dench), decide revelar o segredo que guardou por todos esses anos e sair à procura de seu filho. Para isso, ela conta com a ajuda de Martin Sixmith (Coogan, ótimo), um ex-repórter da BBC que após perder seu emprego, entra meio que a contra-gosto na história de Philomena. Mas a medida que os inacreditáveis fatos que permeiam a história de Philomena começam a ser revelados, Martin acaba se envolvendo emocionalmente na história e na jornada dela.

Com esta premissa, PHILOMENA tinha tudo para cair no dramalhão Hollywoodiano. Mas nas mãos deste sensacional trio inglês, o filme se transforma em uma história surpreendente e até com algumas reviravoltas, pontuadas pelo melhor do ácido humor britânico.

No dia em que o filho completaria 50 anos, Philomena tem em mãos a foto do menino que uma jovem freira lhe entregou em sigilo. É a única prova da existência do menino. Sua angústia se manifesta com força nesse dia: quem seria o menino, onde estaria, como se saiu na vida, será que algum dia ele pensou na mãe, ou chegou a lembrar-se dela?

Além de profissional, Martin não é nada fã do catolicismo: é ateu declarado e não compreende como Philomena pode ser tão fiel à sua fé, depois da atrocidade que lhe fizeram as freias. 

Temas como adoção, homossexualidade, desmandos da igreja, sexo e ganância são tratados sem a menor cerimônia em Philomena, de forma honesta e aberta, mais um mérito do longa. O que me faz pensar, mais uma vez, que mesmo se apoiando em temas “polêmicos”, é possível contar boas histórias sem cair no sentimentalismo barato ou em discursos populistas. Philomena é um excelente drama, nada cansativo e com ótimos momentos de descontração. Bom para ilustrar que, mesmo em momentos de angústia e desespero, é possível sorrir um pouco, sem precisar ser idiota ou boboca para isso.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Motivos para ver: Her

Spike Jonze é um homem com uma boa cabeça. Frequentemente no mundo dos curtas-metragens, tinha realizado até hoje 'Being John Malkovich', 'Adaptation' e 'Where the Wild Things Are' e ao 4.º filme conseguiu a sua obra-prima, num argumento maravilhoso totalmente escrito por si. 'Her' é muito provavelmente o Melhor Argumento Original do ano. Ganhou o Globo de Ouro nessa categoria e é pertinente, sensível e inteligente.

Num futuro não muito distante do mundo atual, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) acabou uma relação recentemente com Catherine (Rooney Mara) e é responsável, numa empresa, por escrever cartas de amor pessoais para pessoas com dificuldades em expressar os seus sentimentos. Theodore é um homem solitário, fechado no seu mundo até ao dia em que compra um sistema operativo com inteligência artificial, projetado com base nas sua personalidade e com a capacidade de evoluir como um ser humano. "Samantha" (voz de Scarlett Johansson) e Theodore desenvolvem uma relação, acabando o OS por aprender progressivamente como são as relações humanas, embora sem nunca ter um corpo que permita que a relação dê um passo determinante. Tudo o resto é cinema, bom cinema, é uma evolução bem pensada, futurista, mas tangível. São sentimentos sem toque e ensinamentos metaforizados.


O intelecto de Spike Jonze permitiu que 'Her' seja tudo: drama, ficção científica, romance e até comédia. É um filme sobre relações humanas e sobre o amor, com Samantha a funcionar na perfeição como a redoma individualizada que a tecnologia nos permite hoje em dia. Pode um homem apaixonar-se por uma máquina? Claro que a esta pergunta de normalmente fácil resposta, importa acrescentar que a máquina tem a voz da Scarlett Johansson.

Apesar de ainda manter um pé no inusitado, o novo filme de Jonze, “Her”, é sem dúvida o filme mais bonito e sensível do diretor. Um belo retrato do difícil ato de se envolver em uma relação e se apaixonar, seja pelo que for, até por um sistema operacional (!)

No elenco, Joaquin Phoenix carrega o filme nas costas, em mais ótimo desempenho e repleto de nuances. Phoenix é sem dúvida o ator que, por merecimento, seria o próximo a ganhar um Oscar de Melhor Ator. Mas não necessariamente por este filme, apesar da fantástica interpretação. Quem também está muito bem, e sem sequer mostrar a cara (ou o corpo) é Scarlett Johansson, no papel de Samantha, o tal sistema operacional da história. Sem seu maravilhoso trabalho de voz, “Her” não funcionaria de jeito nenhum.


“Her”  foi indicado a 5 Oscars, incluindo Melhor Filme e Roteiro Original (escrito pelo próprio Jonze), mas dificilmente levará alguma estatueta para casa. O que não diminui em nada o brilho deste filme belo e poético, que fala de maneira tão bonita sobre a difícil mecânica das relações, sejam elas entre marido e mulher (ou ex-mulher), ou mesmo entre homem e máquina. E principalmente, que mostra que a realização de qualquer indivíduo, independe da natureza de suas relações. Ainda sem conhecer uma única avaliação negativa, "Her" mostra-se já como um dos filmes mais conceituados de 2013. 


sábado, 25 de janeiro de 2014

Motivos para ver: Trapaça


Nunca um título nacional, retratou tão bem um filme como Trapaça, afinal, o longa é realmente uma trapaça com o espectador. Vou explicar por que. Eu sempre pretendo ser muito sincero,  nas minhas críticas, pois pretendo passar minha impressão sobre os filmes e não a da crítica e muito menos a das pessoas. Digo isso principalmente, porque os inúmeros prêmios que o filme vem ganhando, e ainda os elogios por parte da imprensa, dão para o longa um ar de expectativa enorme, que possivelmente, se tornará frustrante para alguns ao assisti-lo. Afinal o filme não passa de uma manjada trama policial com reviravoltas no roteiro, extremamente previsível, igual a alguns que já cansamos de assistir no cinema. Não há nada de novo nem na forma de narrar, muito menos na história em si. Contudo, é um filme normal com boas atuações. 

O que está seduzindo os críticos e nisso com toda a razão, é o elenco, principalmente a ala feminina em performances poderosas. David O. Russell teve um leque de bons artistas para comandar seu show. Ousando com todo seu charme à flor da pele e vestindo roupas milimetricamente decotadas, Amy Adams cumpre muito bem sua missão no filme. Jennifer Lawrence, a atual queridinha de Hollywood, aparece na segunda metade da história e se destaca em um papel diferente de tudo que já fez na carreira. Eu, particularmente, não sou fã da atriz, entretanto, tenho que admitir que ela é a grande estrela do filme, que me permito dizer, está muito melhor do que Amy Adams. Christian Bale, que interpreta o protagonista, é o responsável pelas cenas mais cômicas ao longo da fita, méritos desse excelente ator. Jeremy Renner, faz uma breve ponta, mas também se destaca. O ponto negativo em torno das atuações gira em torno de Bradley Cooper e seu Richie DiMaso. Exagerado, quase descontrolado, possui sequências de loucura extrema que não passa um pingo de verdade.


No caso de Trapaça, o diretor além de usar um formato manjado, ainda carrega nos diálogos extensos e cansativos, principalmente por que eles não são tão inteligentes e divertidos como se pretendia. Aqui vai meu questionamento, para quem assistiu o filme: por que ele está sendo rotulado como comédia? 

A trama do filme é sobre uma dupla de trapaceiros, Irving Rosenfeld (Christian Bale) e Sydney Prosser (Amy Adams) que são forçados a cooperar com o FBI num caso de corrupção, que inclui até membros do governo. Tudo parecia ir bem até que a mulher de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence) se envolve na armação e acaba mudando as regras do jogo. A história roteirizada por O. Russell foi inspirada em Mel Weinberg, um trapaceiro real, que foi contratado pelo FBI no final dos anos 70 para auxiliar numa operação sigilosa da instituição.


Apesar do filme não ser tudo que se “pinta”, tecnicamente ele acaba equilibrando suas escolhas equivocadas, a começar pela direção de arte deslumbrante que recria o ambiente dos anos 70/80 com detalhes minuciosos perfeitamente. A edição, atualmente chamada de montagem é o grande trunfo que consegue dar agilidade para a arrastada narrativa de O Russell. Somado a isso ainda tem a bela fotografia em tons pastel que dão ao filme o ar retrô maravilhoso.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Motivos para ver: Álbum de Família / Por: Camilla Fernandes


Pra mim esse já é um dos melhores filmes do ano de 2014. Com um elenco magnífico, um roteiro que usa de clichês de forma diferente, ótima fotografia e uma boa direção, August: Osange County comove e conquista de uma forma única.
O filme conta a história das três irmãs: Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) que se veem obrigadas a voltar para casa quando seu pai (Sam Shepard) desaparece. Somos então apresentados à disfuncional família Weston, cuja matriarca, Violet (Meryl Streep), tem câncer na boca e é viciada em drogas, especialmente comprimidos, de todos os tipos.
Barbara também está passando por problemas em sua própria família. Sua filha Jean (Abigail Breslin) com apenas 14 anos já está fumando maconha e seu marido, Bill (Ewan McGregor) teve um caso com uma mulher mais nova.
Karen é a irmã que menos parece se preocupar com a vida séria. No enterro do pai, ela apresenta Steve (Dermot Mulroney) à família e o cara não causa lá uma boa impressão assim. Apesar disso, eles vão se casar no Ano Novo e ela parece despreocupada com todo o resto.

Ivy é a mais centrada e, aparentemente, a mais controlada de todas na família. Sempre tenta agradar a todos e tomou conta de sua mãe por anos, mesmo com todo o problema do vício. Ela finalmente consegue se conectar emocionalmente a alguém, mas este é seu primo Little Charlie (Benedict Cumberbatch). Charlie é filho de Charles (Chris Cooper) e Mattie Fae (Margo Martindale), irmã de Violet.
Resolvi não dar muitos spoilers sobre o filme para que todos possam se interessar em assistir essa maravilha do cinema. John Wells faz um ótimo trabalho na direção, contrabalanceando cenas divertidas com cenas pesadas de brigas de família.
É um filme repleto de drama, mas muito gostoso de assistir. Você poderia identificar vários elementos próprios da sua família, na família Weston. Além disso, as atuações da Meryl e da Julia são dignas de palmas aclamadas de pé! Não tem como não ficar boquiaberto com as cenas das duas. Deste modo, elas fazem valer, e muito, suas indicações.

P.S.: Sou completamente apaixonada pelo Benedict e tem cena dele cantando  e tocando piano, uma música que ele mesmo compôs para o filme! Coisa perfeita de se ver!

Camilla é uma das nossas convidadas pelo blog para escrever sobre o Oscar 2014 e outros assuntos. Você também pode visitar seu blog sobre séries, The Series Factor. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Motivos para ver: A menina que roubava livros

Infelizmente eu não lembro do livro o tanto quanto gostaria para comparar (apesar de não gostar disso) então esse post vai ser dedicado (exclusivamente) ao filme mais sensível que assisti nesses últimos tempos. A menina que roubava livros foi um best-seller que ganhou o coração de muitos leitores contando a história de Liesel Meminger, que tem seu destino marcados por muitas fatalidades mas também ensinamentos sobre humanidade e conhecimento. O filme/livro se passa durante toda a Segunda Guerra Mundial e é narrado pela Morte. 

Essa narração inusitada traz muita reflexão durante toda história. Na minha opinião, poderiam ter usado melhor este artifício porque muitas vezes você esquecia a importância do narrador no enredo da vida de Liesel e no contexto geral. Eu achei incrível como captaram a sensibilidade e toda a emoção que o livro transborda, seja na fotografia de uma Alemanha cinzenta ou na trilha sonora delicada. 

A atuação de Sophie Nélisse superou todas minhas expectativas, contudo sem a união da protagonista com George Rush (O Discurso do Rei, Piratas do Caribe) e Emily Watson (Anna Karenina, Miss Potter) não teria o mesmo impacto. A sintonia de todo o elenco fez a total diferença. A Menina que Roubava Livros é um daqueles filmes que te sensibilizam, mas pode fazer as pessoas que não gostam de finais tristes odiarem. Arrisco em dizer que foi uma das adaptações mais esperadas desde 2005. Acho que foi um sucesso a capacidade de transformar 500 páginas em 2 horas, todas as principais características da história foram preservadas então se eu pudesse dar uma nota, seria 8.0 <3 

O filme estreia dia 31 de janeiro e se ainda não leu o livro não perca essa oportunidade! Deixe seu depoimento de amor (ou ódio) nos comentários! 


domingo, 19 de janeiro de 2014

Motivos para ver: Dentro da Casa


Esse filme me chamou atenção por ser eleito pelo site Adoro Cinema como o melhor de 2013. Depois que assisti, tive a certeza que Dentro da Casa (Dans la Maison, 2013) merecia muito mais destaque no circuito alternativo, devido à forma com que a narrativa nos envolve e manipula. A história gira em torno de Claudie, um menino que encanta seu professor de francês, Germain, pela forma como escreve uma narrativa sobre uma família de classe média; trazendo todos nós para dentro da casa. 

Durante o filme, vemos a necessidade de Claudie se aprofundar na intimidade da família de seu amigo de classe, Rafa, seja pela atração por sua mãe ou o sentimento de precisar continuar a escrever. Contudo, fora da casa, Germain o incentiva de várias maneiras a elaborar uma história como os grandes mestres da literatura - uma forma de compensar suas próprias frustrações. Há uma linha tênue entre a curiosidade e o voyeurismo que enxergamos no personagem do professor, onde cada (Continua...) no final da página se revela em uma completa obsessão. 

Várias interferências ao longo do filme são feitas, até mesmo pela quantidade de correções que são realizadas pelo professor afim de tornar a redação perfeita. Se trata de um filme intenso, porém nada cansativo. Mais um filme francês para despertar nossos sentidos e mexer com nossas emoções. Ao tentar proporcionar um final de acordo com a história de Claudie, somos levados para uma reviravolta incrível que me convenceu que Dentro da Casa é um filme memorável e digno de aplausos. 


Dentro da Casa foi dirigido por François Ozon e foi exibido no Festival do Rio em 2012. 



sábado, 18 de janeiro de 2014

Motivos para ver: Gravidade


Um ensaio sobre solidão, fragilidade e autocontrole. Este é Gravidade (Gravity, 2013), novo filme do diretor mexicano Alfonso Cuarón.

Derramar elogios sobre Gravidade já está ficando uma coisa chata, uma vez que o filme está agradando os críticos e o público aos quatro cantos do mundo, mas não tem o que se falar sobre o filme a não ser “Gravidade é espetacular”.

A ficção científica se passa no espaço, na órbita terrestre, a 600 quilômetros de altura. Nela, uma equipe de astronautas e cientistas instala novas partes no telescópio Hubble quando chega o alerta: uma nuvem de detritos está chegando em alta velocidade à sua posição. Em minutos, toda a segurança da nave se vai - e restam apenas a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o comandante da missão, Matt Kowalsky (George Clooney), indefesos vagando pelo espaço. Algo interessante em Gravidade é não nos apresentar aos personagens antes de toda a ação, para que o espectador possa se identificar ou sentir afinidade por eles,

Após a chuva de meteoros, Alfonso nos coloca na visão de Ryan, dentro de seu capacete e sentimos o desespero que ela está tendo. Numa atuação perfeita de Bullock, que apenas com a sua respiração nos deixa tão perdidos e desesperados quanto ela, enquanto tenta algum tipo de contato com qualquer pessoa que seja no meio do espaço e com o oxigênio abaixo de 10%.


Gravidade é, sem dúvida, o melhor filme de 2013. É inteligente, é interessante, é claustrofóbico, é delirante, é incrível. E quando menos percebemos os 90 minutos se passaram e temos um ótimo desfecho para o filme. Gravidade é um deleite técnico. A alternância entre som e silêncio amplifica o drama e a trilha sonora aflitiva de Steven Price entra apenas em momentos cruciais. A animação (o filme é quase que todo em computação gráfica) é perfeita e realista e a tensão é absolutamente constante

Cuarón encontra no espaço  o controle milimétrico de seu set. Há cenas de beleza intensa e grande significado, como os "renascimentos" da Dra. Stone, especialmente o primeiro, em que a vemos pela primeira vez como mulher, como humana, indefesa fora da casca protetora do uniforme de astronauta. Nas lágrimas sem gravidade, Cuarón aprecia a beleza da fragilidade humana - e sua tenacidade.



O filme é um dos favoritos para o Oscar e tem grandes chances em levar pra casa o Oscar nas partes técnicas, os efeitos, o som, é tudo muito realista, a ponto de um jornalista perguntar a Alfonso, em como foi gravar no espaço. Sandra Bullock, que carrega 80% do filme sozinha, também tem grandes chances de ganhar como melhor atriz, por mais que a academia não enxergue com bons olhos as atuações em ficção cientifica, mas é nítida o bom trabalho que ela apresenta em Gravidade. O filme é incrível e tem a mais espetacular atuação, que já vi por parte de Sandra Bullock, que se sobressai mais uma vez e nos trás uma das personagens mais críveis de sua carreira.