terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Não-Linear

          Não, sei se posso me classificar assim, mas sou um "cinéfilo não-linear." A cada novo filme, que eu assisto com essa temátima, me faz perceber que as várias possibilidades de um roteiro "deformado", me instigam, me fazem imaginar e repensar o filme várias vezes. Acho fascinante a forma que um roteiro não-linear, se encaixa perfeitamente com um tipo de diretor específico. Pensando nesse esquema, resolvi escrever um mini-post sobre alguns filmes que selecionei, dentre os que já assisti dessa temática. Alguns mais conhecidos, outros menos, uns mais novos, outros mais antigos, mas simplesmente, primorosos na arte da história contada de várias visões e ângulos.

  • 360, 2012, Fernando Meirelles.
    Entrelaça diversas histórias e dramas pessoais que se passam em Veneza, Paris, Londres, Rio de Janeiro, Bratislava, Denver e Phoenix . É uma reunião de histórias dinâmicas e modernas, passadas em diversas partes do mundo. Laura (Maria Flor) é uma mulher que deixou a vida na terra natal para tentar a sorte em Londres ao lado do namorado Rui (Juliano Cazarré). Ao descobrir que o parceiro está tendo um caso com Rose (Rachel Weisz), ela decide voltar para o Brasil. Na volta pra casa, ela conhece um simpático senhor (Anthony Hopkins) e Tyler (Ben Foster), duas pessoas em momentos difíceis em suas vidas. Num outro lado da história, Mirka (Lucia Siposová) é uma jovem tcheca que começa a trabalhar como prostituta para juntar dinheiro. Ao mesmo tempo, lida com a desaprovação da irmã Anna (Gabriela Marcinkova). O primeiro cliente de Mirka é Michael (Jude Law), que por sua vez é casado com Rose.

     

    • Crash- No Limite, 2004, Paul Haggis.                                                                        Vencedor do Oscar de Melhor Filme. Tudo começa a partir do roubo de um carro de uma mulher rica. A partir de então, uma série de incidentes acabar por aproximar habitantes de diversas origens étnicas e classes sociais de Los Angeles: um veterano policial racista e seu jovem parceiro passivo em relação as suas atitudes, um detetive negro e seu irmão traficante de carros roubados, um bem-sucedido diretor de cinema negro que finge ser budista para não ter exposto sua origem afro-descendente, um imigrante persa que possui um pequeno comércio que vive sendo assaltado, um trabalhador latino que luta para sustentar sua família. Todos estão lá como peões num intrigado tabuleiro de emoções que afloram conforme eles se encontram, ou melhor, se esbarram no acaso da vida do dia-a-dia. Nesses encontros, os personagens tomam consciência de quem realmente são e a maneira como conduzem suas vidas, muitas vezes patéticas. O sentimento que serve de fio condutor é o racismo presente nos EUA.



    • Amores Brutos, 2000, Iñárritu.
      Uma tragédia no trânsito também é o fio condutor deste filme, que se passa na Cidade  do  México. Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, as pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o adolescente Octavio (Gael García Bernal), que decidiu fugir com a mulher de seu irmão, Susana (Vanessa Bauche), usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel (Álvaro Guerrero) resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria (Goya Toledo), uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo (Emilio Echevarría), um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a  possibilidade de sua redenção.



      •  Babel, 2006, Iñárritu.                                                                                             Um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos. Ali perto os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker At El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger a pequena criação de cabras da família. Um tiro atinge o ônibus, ferindo Susan. A partir daí o filme mostra como este fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo: nos Estados Unidos, onde Richard e Susan deixaram seus filhos aos cuidados da babá mexicana; no Japão, onde um homem (Kôji Yakusho) tenta superar a morte trágica de sua mulher e ajudar a filha surda (Rinko Kinkuchi) a aceitar a perda; no México, para onde a babá (Adriana Barraza) acaba levando as crianças; e ali mesmo, no Marrocos, onde a polícia passa a procurar suspeitos de um ato terrorista. 
       
       
        
      •  21 Gramas, 2003, Iñárritu. 
        Três pessoas, Paul (Sean Penn), Jack (Benicio Del Toro) e Cristina (Naomi Watts), têm seus destinos cruzados em função de um acidente. A partir dele serão testados os limites do amor e da vingança, assim como a promessa da redenção. A morte de três pessoas, provoca consequências nas vidas da viúva da vítima, do assassino involuntário e do homem que recebeu um coração transplantado do morto.  


         

        • Irreversível, 2002, Garpar Noé.
          O filme narra, de trás para frente, a história de uma vingança. A primeira seqüência mostra dois amigos desesperados, Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel), saindo pelo submundo de Paris à procura do homem que teria estuprado e espancado Alex (Monica Bellucci), a atual namorada de Marcus e ex-namorada de Pierre. Em seguida, a narrativa volta passo a passo no tempo para mostrar como Marcus e Pierre descobriram o nome do autor do crime, recuando até o próprio estupro e os eventos que o antecederam. Este filme tem uma das cenas de estupro mais reais que eu já vi, além do esmagamento de um crânio que me deu calafrios.

            

         

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quantos filmes nacionais você viu esse ano?

Depois de diversas postagens sobre diretores, atores, filmes internacionais decidi fazer algo diferente e inédito, até mesmo para os padrões do Cinema&Cultura. Essa ideia veio através de três fatores a) O post do meu parceiro daqui do Blog (e amigo especial) Leonam Monteiro que fala sobre os diretores brasileiros (relembre aqui!). b) Um livro bastante legal que adquiri esses dias, "Trajetória Crítica" de Jean-Claude Bernadet que reúne diversos textos críticos, obviamente, publicados para jornais entre as décadas de 1960 e 70. Como ainda estou no comecinho não posso adiantar muita coisa, mas o que realça é o modo que Bernadet vê, mesmo que sob um olhar menos recente ou influenciado sobre a censura, os futuros da crítica cinematográfica e do próprio cinema brasileiro. c) Por último, um debate de um curso que fiz sobre o papel que o cinema brasileiro incorpora, seria um cinema comercial ou incentivo a cultura?

Primeiramente, devemos partir de um ponto comum para prosseguir. É necessário entender o Cinema como uma grande indústria, capaz de ditar modas, modelos e desejos. Ela também é o reflexo da Humanidade, seja no aspecto político, social ou econômico. Desperta medos e coleciona sonhos. Com certeza, é a melhor indústria que já existiu.


Seguindo desse pressuposto, temos uma circulação dos produtos dessa indústria, os filmes, que atraem um público alvo. Nos dias de hoje, torna-se cada vez mais comum 1 em cada 5 salas ter um filme de super-herói. Logo, temos um comércio que atrai lucro. Nem consigo imaginar quanto a indústria cinematográfica gera de circulação em todo o mundo, fora os empregos que gera. O exemplo clássico de cinema comercial, que remete a quase tudo que falamos sobre cinema, é e sempre será Hollywood. As grandes empresas (Paramount, MGM, Warner, etc) inventam e reinventam quando a questão é produzir/distribuir um filme.

Mas e o Cinema Brasileiro? Quantos filmes nacionais você viu esse ano mesmo? Superior a 10? Inferior a 3? Pois é, nosso queridinho e suado cinema tem grandes nomes de diretores, atores e história incríveis, mas não tem um público fiel. Com "Tropa de Elite 2" (2010), surge um personagem eternizado e popularizado, como nunca visto antes na história do cinema brasileiro, o Capitão Nascimento. Não que sua história tivesse mais proximidade com a realidade brasileira, mas o segredo do personagem de Wagner Moura foi a chave do sucesso. Hoje, até crianças de 10 anos falam suas frases marcantes. Sem falar no recorde de bilheteria.

Seja qual for a receita, o sucesso foi estrondoso. Mas então, porque todos os filmes nacionais não tem a mesma aceitação? Sem dúvida, o Cinema Brasileiro é feito de ciclos (de gênero e características da escola cinematográfica) e o evidente é baixa procura por esses filmes que, na verdade, mostram, de um jeito ou de outro, a realidade brasileira. Então, temos com a ajuda do governo, um incentivo da cultura, ou seja, reserva de salas para 1 filme brasileiro com o intuito de mostrar e incentivar (como a própria expressão já diz) a procura de público. Exemplos desse incentivo é a Lei que obriga a passagem de filmes nacionais nas escolas e outro mais presente no nosso cotidiano é a "Festival Nacional", onde a Rede Globo passa filmes todas as quartas durante o Verão. Claro que como a maior distribuidora de filmes nacionais, a Rede Globo não perderia a oportunidade.


Decidi fazer esse post com a intenção de cativar um pouco a atenção dos leitores para o nosso próprio cinema. Ao contrário que muitos pensam, ele não fala só de sexo com palavrão ou histórias espíritas. Na verdade, ele tem uma História de desenvolvimento fantástica que só tem a crescer. ;-)

E você? Quantos filmes nacionais já viu esse ano? Comente!


Eu dedico esse post ao Leonam Monteiro, meu amigo e parceiro de Blog, a pessoa mais indicada para falar sobre filmes nacionais. (Espero que goste <3) 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A primeira regra do Cinema&Cultura é...

... Falar sobre David Fincher.

Quando vejo um filme sempre analiso a característica central do diretor que o produz. Há diretores clássicos (Tarantino, Tim Burton, o próprio David Fincher) que somente pelo enredo, fotografia ou escolha dos personagens torna-se visivelmente identificável; e o que mais me atrai no David Fincher foi a produção de filmes no final da década de 90. Já falei aqui, quando abordei sobre o filme "Beleza Americana", um pouco da preocupação do homem com o século que viria (Você pode reler o post aqui!).


O século XX foi o mais movimentado de toda a História. Temos uma Revolução do proletariado  uma Primeira Grande Guerra, anos depois a Bolsa de Nova Iorque quebra deixando um país na miséria. Logo, surge uma figura mitológica que traz novamente um conflito mundial, cujo o medo torna-se banalizado. O mundo então se polariza entre dois centros de poder, onde há uma ameaça constante e o fim parece estar próximo. Depois de tanta lenga-lenga, a Guerra Fria termina como a chegada da primavera; o século terminou e o globo se torna mais conectado. Ufa... Quanta coisa, né? Imagina como a cabeça do homem não mudou perante tudo isso? É isso que Fincher vai abordar com tanto talento e genialidade. 

Depois que vi "Seven - Sete pecados capitais" (1995) a maneira com que o Detetive Somerset observa o mundo e a sua participação na polícia encaixa totalmente com o modo que O Narrador em "Fight Club" (1999) se sente. Apenas uma cópia. Falando nele, é bastante incomum achar uma pessoa que não se atraia por "Fight Club", ele é um daqueles filmes irresistíveis que cada frase é impactante e o efeito melhora a cada ano que passa. É como vinho. 


Torna-se visível a ideia de um homem atormentado, perdido e conformado. O consumismo, a necessidade de uma válvula de escape, o retorno ao estado natural são chaves de um entendimento. A banalização da morte, medo e dor vinda com a pós-modernidade é a chave para encarar o novo século. Como ele será?

Como abri o post, Seven trouxe a consagração, na minha opinião, de um diretor e um ator. Brad Pitt recebeu 7 milhões para estrelar esse filme, o que sem ele não teria o mesmo impacto. O som, efeitos de luz e até mesmo a tipografia seriam características marcantes de Fincher. Pode-se conferir o mesmo efeito de luz em Fight Club. Não há dúvidas que ambas as obras são excepcionais e seria um pecado capital não comentar aqui!


Esse é um tema bastante interessante, então por favor, deixem suas opiniões! :-)